Arte, amigo. O assunto do momento é arte. E está na moda colecionar – telas e esculturas, não carrinhos de ferro, revistas Playboy e camisetas antigas do seu time de futebol. Vou te dizer mais: exposições, feiras e galerias tornaram-se pontos de encontro de gente fina, elegante e sincera; uma turma bacana, interessada e interessante que nem de longe lembra aquela horda de barangas que sempre rondaram vernissages – aliás, vernissages estão em extinção, assim como o cardápio que sempre embalou esses eventos estranhos. É o fim daqueles canapés conceituais, tipo torradinha cortiça com pipoca e damasco, saca? Mas olha, é importante saber que o pessoal das “arti” é meio fechadão, rola uma certa panelinha ali. Mas fique sabendo que são deles as festas mais incríveis do momento, regadíssimas e animadíssimas. Mas se você não coleciona, não usa óculos de armações pretas e não sabe a diferença entre uma paralela e uma individual, tenha certeza que seu nome nunca estará em lista alguma. Todos te darão tratamento vip, de very ignorant person. Para se safar dessa e entrar no circuito bolamos aqui um rápido guia de sobrevivência no universo artsy. Verbete e who’s who para festas, xavecos e repertório em noite de exposição. A ver:

Ai Weiwei – artista plástico chinês mais festejado no momento e/ou onomatopéia de dor.
Bienal – eventos que acontecem de dois em dois anos com o intuito de mostrar um monte de coisas estranhas que ninguém entende – e ninguém assume que não entendeu.
Díptico – quadro pintado ou esculpido em dois panos ou tábuas que se dobram.
Tríptico – conjunto de três pinturas unidas por uma moldura tríplice ou três pinturas juntas formando uma única imagem.
Quadríptico – ah, fala sério.
Vernissage – mostra privada que precede a abertura de uma exposição. Termo em desuso.
Instalação – qualquer coisa sem forma definida, geralmente vem acompanhada de uma performance.
Performance – o mesmo que instalação, só que interativo. Mantenha distância, você pode ser a vítima.
Adriana Varejão – mosca-que-pousou-na-sua-sopa e artista plástica brasileira famosa por seus maxi azulejos.
Abstracionismo – forma de arte que não representa objetos próprios da nossa realidade concreta exterior. Ou estado letárgico que você atinge quando já não aguenta mais estar dentro de um museu.
Experiência ultrasensorial – não significa nada.
Tunga – escultor, desenhista e performer brasileiro. Sem ligações familiares com Dunga.
Arte naïf – qualquer coisa pintada meio fora de escala e sem perspectiva por pessoas descobertas por alguma ONG sueca. À venda nas feirinhas hippies da sua cidade.
Romero Britto – artista plástico pernambucano radicado em Miami. Chamem a polícia caso ele resolva voltar para o Brasil.
Vik Muniz – artista plástico que ganha fortunas pintando retratos com o dedo e usando geléia de goiaba no lugar de tinta.